
Presidente do TCU, ministro Aroldo Cedraz. Opções estudadas para o adiamento seriam um pedido de vista ou a não inclusão da matéria na pauta - Agência O Globo / Ailton de Freitas
POR JÚNIA GAMA - O GLOBO
O governo está atuando para adiar para o final deste ano a votação das contas presidenciais no Tribunal de Contas da União (TCU). A intenção é ganhar tempo para tentar atravessar o momento de crise aguda e somente obter uma decisão do tribunal em um contexto menos desfavorável para o Palácio do Planalto.
Ao menos um ministro do TCU teria se mostrado favorável à ideia. As opções estudadas para o adiamento seriam um pedido de vista, que qualquer integrante da corte pode fazer, ou até mesmo a não inclusão dessa matéria na pauta por enquanto.
Cabe ao presidente do tribunal estabelecer a ordem de votação das matérias. Atualmente, é o ministro Aroldo Cedraz que preside o TCU. O filho de Aroldo, o advogado Tiago Cedraz, é um dos investigados na Operação Lava-Jato.
A expectativa no governo é que, com o passar dos meses, a economia comece a dar sinais de melhora e a crise política passe a arrefecer. Dilma desencadeou nos últimos dias uma investida de conversas com representantes de partidos aliados e de outros poderes para tentar contornar o cenário de derrotas sucessivas no Congresso.
Após meses de artilharia contra o governo, que começou quando se tornou público que estava entre os investigados na Lava-Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), passou agora a dar sinais de que pretende atuar como fiel da balança na governabilidade. A despeito da pressa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — também alvo da operação — em votar as contas de Dilma, Renan tem dito que o trâmite para a apreciação será mais demorado.
A rejeição das contas do governo pelo TCU, se confirmada pelo Congresso, pode dar início a um processo por crime de responsabilidade contra a presidente.
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